Rica Perrone: “Separem o Paquetá do Vinicius Jr.”


Rubro-negro, a euforia é grande, são dois meninos diferenciados, mas não são uma dupla, nem mesmo competem entre si por um lugar ao sol. Há sol para ambos.
Toda vez que alguém cita o bom futebol do Paquetá imediatamente usa-se a segunda frase para compara-lo ao Vinicius, ou para dizer que “o bom é ele”, como se fosse uma possibilidade limitada a um deles apenas saber jogar futebol.
São dois jogadores absolutamente diferentes. E também diferenciados. Um deles é o perfil de garoto europeu, o outro o perfil brasileiro. Mas tem coisa nessa história que precisa ser dita.
Paquetá tem 20 anos. O Vinicius 17. O Paquetá fez a base e chegou no profissional conforme planejado. O Vinicius quando fez 17 anos nem estreou pelo Flamengo se tornou um garoto rico e com um peso absurdo nas costas de ser o “novo alguma coisa”.

 
Ganso já foi “melhor que o Neymar”, lembra? Na real ele era só mais velho e pronto. O Paquetá é um jogador de time coletivo, intenso, moderno. O Vinicius é craque.
Os dois são importantíssimos, valem muito, imagino ambos com muito sucesso. Mas o fato do Paquetá estar bem aos 20 não tem nenhuma relação com o Vinicius não ser, ainda, o craque que se espera dele. E portanto um não precisa vir acompanhado do outro quando avaliados, criticados ou elogiados.
O Paquetá é o meia que a Alemanha queria. O Vinicius é o jogador que todo mundo quer.
O futebol funciona mais e garante mais resultados nos pés de um Paquetá. Mas ele encanta nos pés do Vinicius.
O Flamengo fez dois moleques de ouro. E ao contrário de uma competição qualquer, não precisa dar a “prata” pra um deles, menos ainda procurar uma forma de menosprezar um deles pra gostar mais do outro.
A diferença entre eles é que o Paquetá está pronto para, numa hipótese, ser só bom. O Vinicius tem que ser gênio. Então hoje é mais fácil ser Paquetá. O que não significa que seja melhor do que ser Vinicius.
Reprodução: Rica Perrone