Rica Perrone: “Marra”.


Era 8 da manhã quando o Flamengo começou a ganhar o jogo de hoje, mais precisamente na padaria do seu Carlos no Méier. Ali, enquanto cada rubro-negro chegava pra comprar o pão falando em goleada, botafoguenses falavam em evitar vexame.
E aí você me diz que “é apenas noção de realidade diante do cenário”, mas você sabe tanto quanto eu que fosse o cenário absolutamente contrário o flamenguista entraria lá dizendo que ia passar o trator hoje e o botafoguense pensaria “só falta perder mesmo com essa fase boa”.
Marra ganha jogo. Marra conquista pessoas. Marra é um adjetivo dado como “ruim”, mas que nem sempre é assim.
O que sobra ao Flamengo falta ao Botafogo. É um time bonzinho. Minha filha se casaria com o Botafogo. Eu levaria ela pro altar. Com o Flamengo eu ficaria bolado.
 Óbvio que numa disputa entre Flamengo e Botafogo, ela vai querer o Flamengo.
Ela pode ser minha filha. Ou a bola. Tanto faz. A tendência é bem parecida de ser igual.
O Flamengo debocha, peita e jura ser bem maior do que de fato pode. O Botafogo se apequena e não aceita nem mesmo seu real tamanho. Anda de ombros altos, cabeça baixa. Como quem se protege de algo que ele não pode enfrentar.
Pois aí está a diferença.
Até pra morrer tem que ser grande. Tem gente que morre atirando, gente que morre de costas. Você sabe como cada um morreu sem ter que perguntar nada.
O Botafogo hoje sangra pelas costas. O Flamengo faz piada, porque pode.
Reprodução: Rica Perrone