Calvozzo: "Ao tentar mudar punição, Flamengo demonstra não ter aprendido a lição!"


Flamengo encara o River Plate, no próximo dia 28, longe de seus torcedores. Aliás, longe não, afinal de contas a Nação Rubro-Negra promete lotar os arredores do estádio do Botafogo, para recepcionar os seus ídolos na estreia da Copa Libertadores. Mas para por aí, já que o clube carioca foi punido pelas lamentáveis cenas de violência registradas na final da Copa Sul-Americana do ano passado e será obrigado a jogar com portões fechados.
Mesmo assim, a direção do Flamengo ainda nutre a esperança de reverter tal situação. A saída, de acordo com os cartolas, seria passar a proibição pela aplicação de uma multa e tudo ficaria bem. Os representantes estiveram reunidos com integrantes do comitê organizador do torneio e pelo que se ouve é que o otimismo é grande no sucesso da empreitada.
Caso realmente consiga mudar o cenário, o Flamengo daria um péssimo exemplo de que não vale a pena lutar pela punição aos maus torcedores. Vale lembrar inclusive que nesta ocasião não foram poucos. É bem verdade que toda a cidade passa por uma fase caótica, mas permitir a volta desses vândalos como se nada tivesse acontecido seria emitir um atestado de conivência.
O clube também já enviou uma notificação aos responsáveis pela segurança do Estado, alertando a possibilidade de aglomeração de pessoas na região do Nilton Santos, já que os apaixonados torcedores estão impedidos de entrar. Analisando a ação em um primeiro momento isso poderia até parecer uma iniciativa válida, afinal de contas, no jogo contra o Independiente, nada foi feito apesar da grande maioria dos envolvidos sabendo que algo grave poderia acontecer. Porém, na prática, isso mostra que o que se pretende é simplesmente jogar a pressão nas autoridades e “lavar as mãos”, caso um novo incidente realmente ocorra.
Vendo a atitude da diretoria friamente concluímos então que o Flamengo está proibido de sofrer qualquer tipo de punição, mesmo em caso extremos, como o acontecido em 2017, afinal de contas ninguém pode garantir o que irá acontecer depois disso. Se a ideia fosse realmente preservar vidas, o clube deveria então tirar o jogo do Rio de Janeiro, pois se mostra incapaz de controlar tal situação e não se sente seguro diante do histórico demonstrado pela Polícia Militar.
Não basta dizer que é contra atos violentos. Os clubes precisam entrar de cabeça na luta contra os maus torcedores e entender que vantagens esportivas devem ser deixadas de lado quando vidas corem perigo. Na verdade, a punição foi até leve e querer mudar isso restando poucos dias para o primeiro jogo na Copa Libertadores demonstra apenas que a lição não foi aprendida.
Reprodução: Rodrigo Calvozzo | Goal