André Rocha: “Parecia uma noite de Flamengo na Libertadores. Mas entrou Vinicius Jr…”


O Flamengo deu a impressão de que repetiria em Guayaquil a sina de 2017 na Libertadores: boa atuação fora de casa, mas sofrendo pelos erros de finalização, especialmente de Henrique Dourado. Também o individualismo de Lucas Paquetá, preferindo dribles e finalizações quando o passe era mais indicado.
Para complicar, o pênalti claro não marcado no toque de mão de Guagua em disputa com Everton Ribeiro e uma rara falha de Juan, que deixou as costas para Angulo infiltrar e fazer o gol do Emelec. Duro golpe para um desempenho correto na execução do 4-1-4-1, com entrega, liderança de Diego e mais personalidade do time que costumava ser frágil mentalmente. Seria mais uma noite da sina recente no torneio continental de ”jogou como nunca, perdeu como sempre”?
Seria, se Vinícius Júnior não tivesse entrado na vaga de Everton Ribeiro. Para jogar aberto pela direita, setor em que nem rende tanto quanto no lado oposto. Mas quando o time rubro-negro mais precisou o talento que fez o Real Madrid abrir os cofres atrás de um garoto de 17 anos apareceu como ainda não havia acontecido desde que subiu para os profissionais.
Faltava à equipe de Carpegiani a jogada diferente, o drible que desmonta a defesa adversária. Vinicius ofereceu seu repertório e dois gols numa virada que parecia improvável. O primeiro uma pintura em jogada pessoal, o segundo tabelando com Diego. Três finalizações, duas no alvo. Total de 21 conclusões do Fla, sete na direção da meta de Esteban Dreer, contra apenas nove dos donos da casa. 25 desarmes corretos dos brasileiros contra sete.
Um outro espírito, mas a diferença foi o talento. Não veio de Paquetá, mas no time das contratações milionárias outra joia da base resolveu. A mais reluzente e valiosa. Para encerrar uma invencibilidade de 16 jogos do Emelec e reescrever a história na vitória do Flamengo como visitante na Libertadores que não acontecia desde 2014.
(Estatísticas: Footstats)
Reprodução: Blog do André Rocha